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Mídia

Entrevista – Bebês de Princesas Reborns

Revista Rio Center

 

 

1. Quando e como você começou a trabalhar com bebê reborns?

O meu primeiro contato com a arte reborn foi ao comprar um bebê reborn de mostruário para a moda bebê em minha loja de roupas –Bambolê Baby & Kids. Fiquei apaixonada pelo realismo do bebê reborn. Comprei mais duas bebês e minha veia colecionadora começou a pulsar. Com vontade de ter mais bebês reborn, acompanhei uma amiga em um curso da arte reborn e comecei a fabricar para mim, filhas, sobrinha, amiguinhas delas e aí tudo começou. O resultado foi que fechei a loja há alguns anos, fiz outros cursos de reciclagem e aperfeiçoamento, e hoje trabalho exclusivamente como artista reborn.

 

 

2. Qual seu público? Quem compra esses bebês?

O meu público é composto de crianças, adultos colecionadores, admiradores da arte reborn ou pessoas que desejam eternizar seus filhos quando bebês através do bebê reborn feito por semelhança. Esses bebês proporcionam benefícios para as pessoas que tem contato com os mesmos de forma saudável. Por exemplo: estimula o instinto materno, ameniza-se ciúmes da criança na chegada de um novo irmãozinho no lar e auxiliam no tratamento de idosos que sofrem de Alzheimer e de crianças que são hiperativas. Essas crianças, tendo contato no dia a dia com bebês reborn de olhinos fechados (bebê dormindo), são ajudadas em sua disfunção comportamental. Participei de feiras gestante-bebê e os compradores foram crianças que já saíram com seus bebês no colo felizes por terem a oportunidade de cuidar de um bebê enquanto a mãe está a espera de um bebê para cuidar também. Nessas feiras, as grávidas já reservam seu bebês reborn réplicas, para que, assim que o bebê nasça, me enviem fotos. Quanto ao público de pessoas idosas, preciso ressaltar alguns cuidados especiais. Idosos com Alzheimer só podem ter bebês de olhos abertos e idosos que usam marca-passo somente bebês sem os imãs internos para chupeta e laços de cabelo. Ou seja, meu público é bem variado.

 

3. Onde você aprendeu a produzi-los?

Aprendi a produzi-los em Natal com uma cegonha de São Paulo, que na época estava morando em nossa cidade. O meu aprendizado continuou e cresceu bastante com a amizade muito especial de uma cegonha, que até hoje é inspiração para o meu trabalho na arte. O capricho, a dedicação e o amor pela arte, ao pintar com ela em vários momentos, me fizeram a aprimorar a cada dia. Sou muito grata a Deus por ter colocado pessoas boas em meu caminho que me transmitem segurança naquilo que faço para continuar desenvolvendo minhas técnicas e buscando atingir um nível cada dia mais alto de perfeição. Estou sempre estudando, interagindo com artistas reborn e fazendo reciclagens. Ano passado tive a alegria de fazer reciclagem com a artista me introduziu na arte reborn e vi como surgem novidades na técnica. Estou sempre aprendendo e sempre tenho algo novo a aprender.

 

 

4. Poderia sintetizar como é o processo de produção?

Vou responder a essa pergunta, mas temo não conseguir sintetizar muito, pois preciso começar pelo início do processo na criação do kit que eu uso para rebornar. Uma escultora projeta o molde de um bebê numa massa sólida (clay) e fabricam esse molde do bebê em vinil importado. O molde pode ser feito em uma determinada quantidade que chamamos de kits limitados, ou de forma contínua, que nos permite comprar a qualquer momento. Cada kit tem um nome, características faciais/ corporais diferenciados e únicos. Então, no processo de produção, compro esse kit, observo cada detalhe dele ainda cru (sem tinta) e começo a curtir a pintura imaginária, analisando onde cabem sombreamentos e marcas de expressão. A inspiração vem e parto para a parte prática da produção, com meus pincéis, esponjas e tintas. Uso tintas específicas para aderir ao vinil quando vai ao forno e os materiais adequados para conseguir os efeitos que quero na pintura. É praticamente isso, pintura de camadas de pele, e idas de kit ao forno várias vezes para penetração/ aderência das camadas de pele, dando realismo ao bebê com as veias, circulação sanguínea e manchas de frio. Na maternidade “Bebês de Princesas”, uso somente kits originais, importados, que são feitos com vinil específico para esse fim sem causar danos na saúde do cliente e da artista. Infelizmente, com o boom do mercado reborn que vivemos hoje, surgiu a cópia desses kits com qualidade questionável, devido ao uso impróprios no vinil e sem respeitar os direitos autorais da escultora. Após a pintura e feita a textura de pele, vou para a etapa do cabelinho. A mamãe reborn escolhe se vai ser pintado fio a fio em técnica 3D, enraizado ou peruca. O cabelinho pintado é feito no pincel, em várias camadas, com finos traços, dando a impressão de ser um cabelo real. O cabelinho enraizado pode ser feito com fios de lã de ovelha, cabelo humano ou fios sintéticos de diferentes espessuras para garantir o estilo desejado em seu bebê. Uso uma agulha específica para penetrar cada fio no vinil da cabeça do bebê. O cabelo é enraizado de acordo com o gosto da mamãe, podendo ser cheio, ralinho, franja, de lado, encaracolado, etc, e exige muito cuidado, só podendo pentear quando úmido e evitar dar nós para não arrebentar os fios. O cabelo peruca é o mais indicado para crianças pois premite fazer xuxas e penteados sem causar os danos citados acima. Após cabelinho enraizado, fixo com cola importada internamente e coloco os imãs de chupeta e lacinhos. É feita a colocação de olhos e cílios, amo colocar brilho no olhar que dá maior realismo e ajuda a fixar mais os cílios. Em paralelo a todo esse processo do rosto vou montando o corpinho, que é preenchido com areia especifica para não manchar o vinil e enchimento. E pronto, está feito um bebezinho lindo e gostoso de pegar no colo!!!

 

6. O que vem com um bebê reborn?

Gosto de caprichar no enxoval. O bebê vai em caixa decorada, quando entregue pessoalmente, enroladinho em uma linda manta de bebê, e seu enxoval completo é composto por chupeta personalizada com brilhos, mamadeira, spray de perfume, spray de condicionador (quando cabelo é enrizado), laços, faixa de cabelo, fraldas, bolsinha, certidão de nascimento, manual de cuidados e uma surpresa que varia, podendo ser uma coroa de princesa, mordedor ou ursinho para o bebê reborn.


 

7. Como escolher um bebê reborn quando for encomendar com a artista reborn?

Hoje o mercado da arte reborn está super amplo, com técnicas que atendem a todos os gostos do cliente, em cor de pele e tons de detalhes do bebê. Os bebês podem ser de olhos fechados ou abertos, membros inteiros, ¼ ou ¾, que quer dizer ter uma parte de tecido assim em parte da perna ou braço. O corpo em tecido usado em minha maternidade é original, importado junto com o kit, sendo que o bebê com corpo em tecido é o mais vendido na maternidade, por ficar muito gostoso de pegar no colo, fofinho como um bebê de verdade. Algumas clientes querem dar mais realismo, encomendando um bebê de corpo inteiro com sexo, que pode ser em vinil ou vinil siliconizado, e existem itens opcionais como coração, gravador de voz e placa de barriga, que se coloca somente para tirar foto, por ser dura e atrapalhar na hora de pegar no colo. O cabelo pode ser enraizado fio a fio, peruca ou pintado em técnica 3D. O tamanho do bebê, após pronto, e o peso que ele suporta ser montado fica de acordo com o kit escolhido pela cliente. A cliente vê uma variedade imensa de modelos de kits (rosto, braços e pernas) através de fotos de como ficam os bebês prontos e escolhe o bebê de seus sonhos. Eu entro na parte mais gostosa, que é através de arte reborn tornar esse sonho realidade.


 

9. Onde surgiram os primeiros bebês reborns e como esse mercado cresceu?


 

Não existe nada confirmado, mas conta-se que tudo se iniciou após a Segunda Guerra Mundial. Foi quando as mães pegaram as bonecas destruídas e as reformaram ou renasceram com muito amor e capricho. Porém, não se sabe ao certo onde e como surgiram os primeiros bebês reborns, pois em contrapartida a essa história, várias pessoas se consideram criadoras dessa arte em todo o mundo. O fato é que desde o início da história o homem usa a arte para representar a figura humana, primeiramente nas paredes das cavernas e depois com bonecos de areia/barro, e foram aprimorando a maneira de reproduzir sua própria imagem até chegar nos dias de hoje, em que usamos vinil e tecido para reproduzirmos bebês tão reais que só faltam respirar. Esse mercado cresceu muito a partir dos anos 80, época em que as fábricas começaram a fazer bonecas em vinil mais delicadas. Alguém viu que as bonecas estavam tomando feições e características mais reais, desmontou uma boneca, pintou por dentro e por fora fazendo sombreados e recriando um tom de pele mais real e natural de bebê. Surge aí bonecas que são bebês! Com o avanço da internet, a confecção dessas bonecas se expandiu e a arte reborn se aperfeiçoou. As bonecas passaram a se chamar Bebês Reborns e ganharam muitos admiradores, que começaram a colecionar esses bebês. Nessa época, as artistas reborns tinham que desmontar, tirar as tintas de fábrica, arrancar acessórios presos e lixar as cabeças das bonecas para poder desenvolver a arte reborn e enraizar fio a fio. Era bem trabalhoso e demorado esse processo de preparação do kit; sendo assim, surgiu a fabricação de kits em vinil já prontos para a arte reborn. As partes da boneca vem cruas e prontas para aplicação da técnica reborn e fabricação de um lindo bebê.

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